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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Cacau despenca mais de 10% e testa US$ 5.300 com saída de investidores e sinais de demanda fraca


Volatilidade marcou a sessão, enquanto mercado aguarda números do quarto trimestre e melhora climática na África


Os contratos futuros de cacau registraram forte queda na sexta-feira, recuando mais de 10% e testando o nível de US$ 5.300 por tonelada no vencimento março, o menor patamar desde o início de dezembro. O movimento foi impulsionado por uma combinação de fatores técnicos negativos, realização de lucros e reposicionamento de investidores que vinham apostando nos fluxos ligados ao retorno do cacau ao Índice BCOM.


A expectativa do mercado era de que a reinclusão do cacau no índice gerasse entre 30 mil e 40 mil lotes de compras até o dia 14 de janeiro. Com parte desse movimento já precificado, agentes optaram por reduzir posições, o que ampliou a pressão vendedora ao longo do pregão.


Durante a sessão, o contrato março apresentou elevada volatilidade, oscilando entre a mínima de US$ 5.300 e a máxima de US$ 6.119 por tonelada. O fechamento ocorreu a US$ 5.345, com queda expressiva de US$ 732 no dia. O volume negociado foi considerado alto, com 42.224 contratos no pregão e 82.465 no volume total. O interesse em aberto estimado caiu 876 contratos, totalizando 131.719, sinalizando saída líquida de investidores do mercado.


Do ponto de vista técnico, o Índice Relativo de Força do contrato março ficou em 36%, indicando que o mercado segue pressionado, embora mais próximo de níveis de sobrevenda.


Agora, a atenção dos participantes se volta para os dados de moagem do quarto trimestre de 2025, que devem confirmar a percepção de demanda enfraquecida. As moagens da Europa e da América do Norte serão divulgadas no dia 15 de janeiro, às 04h00 e 18h00, respectivamente, enquanto os números da Ásia saem no dia 16, às 05h00, no horário de Brasília.


No lado da oferta, o cenário global mostra sinais mais favoráveis. A melhora das condições climáticas na África Ocidental, principal região produtora mundial, sustenta projeções de recuperação parcial da produção. Agricultores da Costa do Marfim relataram que as chuvas atípicas recentes elevaram o potencial produtivo das árvores para os meses de fevereiro e março, período decisivo para o desempenho final da safra, que vai de outubro a março.


Os estoques certificados monitorados pela ICE nos portos dos Estados Unidos também apresentaram aumento de 2.459 sacas, totalizando 1.660.515 sacas, reforçando a leitura de maior disponibilidade no curto prazo.


No mercado cambial, o contrato futuro do dólar com vencimento em 30 de janeiro de 2026 operou de forma estável, cotado a R$ 5,39, sem impacto relevante adicional sobre as cotações do cacau neste momento.


Com a combinação de demanda enfraquecida, ajuste técnico e sinais de melhora na oferta, o mercado de cacau segue sensível, e os próximos dados de moagem devem ser determinantes para definir a direção dos preços no curto prazo.